Quid pro quo (II)

Posted in leaves on Junho 26, 2009 by José Duarte

Não me refiro com a expressão, certamente a troca de bens ou serviços ou favores ilicitos. Essa concepção manchou o termo, embora tenha sido uma outra expressão que manchou esta, statu quo.

Uma nova concepção?

Há uns tempos escrevi:

“…Im not only the hunter, world is hunting me.

Through forests to die nowhere, through  magnificient leaves of shinnig green.

I could die right now. Hunted, finally.

This is the most beautifull death I will ever dream.”

Que tal…este, outro, quid pro quo?

Quid pro quo

Posted in Música on Junho 26, 2009 by José Duarte

A primeira música neste blog dedico-a ao mundo que carece de tanto, que palavras, todas elas não bastariam para classificar o défice de valores, deixo a cargo da música que tristemente vai deixando cair as suas notas como o gotejar da chuva  num telhado de uma casa abandonada. Mas não sejamos pessimistas, hà ainda muito que me impede de tal. Afinal não foi a música que salvou a Blimunda, quando ela palmilhando Lisboa recolhia vontades?

If you give, you begin to live..

…you get the world.

Memórias.

Posted in Uncategorized on Junho 23, 2009 by José Duarte

Memórias.
Ao que vem as memórias quando irrompem, desbravando o caminho, que por uma outra, memória também, já tinha sido desbravado. Mas não por inteiro, nunca por inteiro. Nos caminhos por onde irrompem as memórias os passos não se marcam, assim esses caminho, por onde elas nos entram a fazer lembrar, são tomados e retomados, numa tomada em que não se estipulam territórios. Nós, todos ,somos das memórias, porque são elas que afinal de contas nos criam quando nós as criamos a elas, vivendo o presente tornando-o passado.

Os ricos não cagam.

Posted in Os ricos não cagam on Maio 16, 2009 by José Duarte

Ora imaginem lá a ilustre alteza real muito sentadinha, com o imaculado rabiosque bem assente na retrete no acto vulgarmente conhecido como cagar, numa vulgaridade universal se assim quisermos mas teremos também a expressão sinónima mas não tão conhecida como arrear o calhau. O desenho mental que instantaneamente se desenhou pelo gesto convidativo do que escrevi não poderia ser mais estranho, perturbador arriscaria mesmo visto não ser propriamente norma as pessoas andarem para aí a imaginar terceiros na retrete, ainda para mais uma alta figura que somos habituados a ter como algo etéreo, intocável, angelical, esta última pela alta-costura das indumentárias, ou não tenhamos nós vindo a habituar-nos de ver apregoadores de anjos cá na terra vestidos com a tal alta-costura.

Bom, continuando, retomemos a imagem insolente com que ouso e desafio mesmo imaginar. Trata-se de algo indissociável com tal posição na hierarquia social, quiçá até humana, pelo que temos visto quem veste alta-costura não só está isento de cagar esse tão emporcalhado termo como também é mais humano que os demais comuns humanos que lhe dão tal tratamento superior.

Aonde quero chegar é exactamente aqui, pela altiva personagem que se fazem desenrolar na peça quotidiana estes imponentes seres, mais que apenas humanos, não só erradicam terminologias baratas e banais para acções simples do mesmo quotidiano como nos fazem pensar que as não praticam também, ora imaginem só quem iria limpar o rubicundo rabo de sua alteza, ninguém pois claro, para tal seria obrigado a vê-lo, ao não ser que fosse eunuco ou neste caso cego ou um cego-eunuco num 2em1 tirado bem a jeito, pois bem, isto leva-nos invariavelmente para o mesmo dead end, e no final do beco diz em letra bem ornamentada num pergaminho real com brasão e tudo por demais: Os ricos não cagam!

O pano não se fechou, permanece…

Posted in Arte on Maio 10, 2009 by José Duarte

Sexta-feira, dia 8, assisti a duas peças que marcam o fim de 3 anos do projecto Clube de Teatro da Escola E.B. 2,3/S de Celorico de Basto, a “História de Babbot” de Patrícia Portela e “O Chefe” adaptado do livro “O Sr. Krauss”, de Gonçalo M. Tavares.

Antes de deixar aqui a minha critica – se tal posso chamar – apenas a opinião de alguém que apreciando estava compenetrado ao desenrolar na plateia, quero dizer que para os críticos – não falo de mim – aqueles, os quais se dedicam inteiramente a essa função, o trabalho é relativamente fácil se pusermos sob o mesmo patamar o critico e o actor, o critico quando escreve algo sobre o que viu, vai para casa, pensa, tem a noite toda, o dia seguinte até, para o fazer, sem pressões, sem uma audiência à espera da próxima palavra, o actor no teatro – e parafraseando certa passagem do filme Libertino – “…se deixa cair um lenço em palco ele volta para o sufocar.”

Longe de convencionalismos, postura esta tomada pelo grupo, deixo aqui as palavras que ontem, mesmo durante o decorrer das peças, já me dançavam na cabeça, aliciando-me, seduzindo-me até a construir isto que aqui deixo.

Começo pela “História de Babbot”, interpretado por Liliana Mota, que nos conduz de forma alucinante numa catadupa intermitente de viagens, deixando-nos sem fôlego para acompanhar as suas passadas surreais, cujos pensamentos voam num turbilhão, numa barafunda total que raia o absurdo, “como tudo estivesse a ser reposto no lugar exacto que não era o seu”. O texto é todo ele a questão eterna da insatisfação humana, a mudança implícita a cada ser, impressa diria mesmo. Assim somos, como a personagem com a qual a Liliana se fundiu de tal forma que no fim tive a sensação que não mais sabia quem era. Assim somos, deambulando, transeuntes do mesmo lugar e de lugares vários, eternamente condenados a procurar o nosso sítio, que na verdade não é nosso mas de todo o mundo, e se todo o mundo é nosso estamos também condenados a nunca encontrar esse sítio, ou não será o encontro a nossa perdição?

Agora focando “O Chefe”, não querendo correr o risco de ser um “spoiler” para quem irá ver dia 15 no Auditório Ilídio Santos em Cabeceiras de Basto, mas não posso deixar passar a oportunidade de dizer o quanto esta peça se assemelha com o status quo actual.

Guiando-nos pelo labirinto, diria cómico, da hierarquia enviesada do poder, o actores mostram-nos o funcionamento mecânico e plástico, em que todos são iguais, servindo-se com unhas e dentes da tão famigerada retórica, ou palavra oca, para inaugurar o invisível, para ludibriar o estado de sitio de um país com índices de medidas, soluções de fachadas à base de perífrases que invariavelmente convergem no mesmo buraco de agulha, um vazio de ideias. Mas “isto é democracia…VIVA!”

Não quero entrar no cliché de aconselho vivamente a ir, não o farei, quem for sensível, ou seja, todos, deveriam ir, não estão de alguma a fazer-me um favor a mim, nem a eles muito menos, mas a vocês próprios.

Obrigado Gabriel, Lili, Catarina,Susana, Sílvia, Tânia e Vânia. Obrigado professor Ricardo Carvalho. Bravo!

 

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Lido em silêncio

Posted in Poesia on Maio 10, 2009 by José Duarte

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Que silêncio é este? Este, sim este, com que me esperas embrenhada em pensamentos que nunca dirás. Que silêncio é este? Com qual me mergulhas. Não me respondes?

Procuro-te no silêncio que deixaste na minha mão, quando sem saber, esse momento, foi a despedida sem as suas palavras…de despedida, sem o adeus que se prevê mesmo antes de ser dito, quando meu ombro deixa de se sentir o contrapeso do teu, quando o teu peso é a leve folha lívida que também perdeu o seu.

Foste… num silêncio que não previ, como previa as despedidas rotineiras porque sabia que te veria ao fim do dia. Vazia, a minha mão aberta, olho-a, depois fecho-a num impulso como se ainda pudesse agarrar uma réstia de teu odor que ficou, ó ilusão infame que teu silêncio me tornou.

 Fechasse também o dia, mas tu não vens, sei que não, mas sou ainda a ilusão que o teu silêncio me tornou, e divago sobre uma névoa difusa…estou num banco de jardim, desses, algures, como alguém que espera outro alguém mesmo sabendo que não vem… ninguém.

Acordo, caio em mim, sou aquilo que amaste, fui a mão aberta, fechada agora, a mão da última vez que lhe tocaste. Longe te situas, não mais te foco com a luz de presença, e só me focando mim, sinto-me à espera de uma sentença.

 Que silêncio é esse? Não respondes… Não mais pergunto onde estás, não mais digo sim quando diz não…a razão e quando de relance olhas para trás.

 

 

À beira de uma estrada na sombra de uma árvore.

Posted in Poesia on Maio 2, 2009 by José Duarte

No que terminam as árvores, em folhas, em ramos?
Ou em algo que nos falta à vista?
Terminam as estradas, onde nunca vamos?
Ou ao encontro da nossa conquista?

O que nos falta à vista são os frutos que ainda não nasceram.
Mas alimentam outra fome, a do sonho de que um dia nascerão,
ou não fosse prova disso os que na outra Primavera amadureceram,
colhidos pela nossa mão.

A nossa conquista, ou nossa pra além de nós,
não é precorrer a estrada ao seu fim, não se trata de o conseguir.
Mas de não caminhar sós. Juntos o fim da estrada é qualquer lado, em qualquer lado de um porvir.

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